quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Fabiana.

Lívida escultura dos desertos mornos
Tua boca regurgita um demônio infame
Teu ventre reflete o emaranhado dos tinos
Numa contemplação em meu coração enorme.

Ilha de escândalos e o mar é sangue pútrido
Meu amplexo é puro e este amor incorrupto, Fabiana,
Donde o pranto arregaça o peito...
Escombros de ratos e cidade fantasma sob luna,

Águas do Nilo antigo; sua íris esverdeada e elevada.
Tu não és dessa época, de incompletas e carregadas feras...
Que rugem ao abismo... Não! Somos filhos da inocência em Pandora
Excomungados de solidão e exilados numa terra nevada.

Enlace-me pela terra noturna, nos guia gentilmente a Natureza.
E vou te vendo assim melancólica numa ponderação profunda.
E pergunta “ -Só a alma insana, é verdade, és fortaleza?”.

Retorna assim em cova, ÓH! Loba em penhasco em sangue.

Posses vazias como águas em mãos, amanhecem.
Pior deveras; como um deformado em noite de inverno.
Todo aquele, pois, que em teu leito veio entardecer.
Ficaram em jubilo... Mas jamais tiveram como eu estive em você.

Lacrado este peito, deveras enegrecido, deveras sofrido.
E nenhum homem ousou tê-lo porque é complexo...
E terrivelmente belo.


Ander 26/03/2007

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