quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Susana.

Meus dedos caem aos grãos de areia,
E pelas batidas do mar o pranto ecoa,
Cada praia é uma galáxia derradeira,
E cada grão de areia lapide de pessoa.

Estou a sós com essa sombra minha que tudo odeia,
De mim a rocha e ela a sombra na areia,
Quando sobe em mim – e eu sou todo esse coração de pedra,
Numa eloqüência extraordinária, canta, canta minha sereia.

Dum acaso onde avancei nessa rede digital do mecanismo,
Tão grande a sedução, o abismo e a dor no nascimento,
É reavivar o coração do preto mergulhado no niilismo,
Acompanhar-te no crepúsculo um único pensamento.

Pétalas nas Águas mornas banham a sua essência,
Esbelto o corpo que rompe a pele da superfície, submerso...
Arquitetos na abobada tremula do céu em penitência,
Linhas desenhando-a, adornadas mãos artesanais do universo.

Numa eloqüência extraordinária, aguça a alma minha flor,
Com calda de serei ou revista a areia ou corta o ar num vôo,
De onde vêem os sons, os sinos e todos os vádyás dessa dor?
Na timidez do tempo sempre a amei, desconhecendo-a, no tino de quem sou.

Das chaves de Seixas as penas duras de Schopenhauer
Há! O tilintar nas vísceras do Poeta da carnificina humana,
Há delírios e suicídios, dor, amor, rosas, esferas e espinhos,
Tudo na Natureza a Impulsiona em Sua Grandeza Susana.

Ander 23/03/2008

Nenhum comentário:

Postar um comentário